O que esperar de 2016?

Empresários de Itaquaquecetuba fazem balanço de 2015 e revelam expectativas de bons negócios para primeiro semestre deste ano

Assim como aconteceu durante os 12 meses de 2015, o ano de 2016 começa com muita cautela no setor econômico do País e promete ser de muitos desafios. Empresários do setor industrial encerraram o ano mais desanimados do que em 2014. No entanto, uma pesquisa sobre o Índice de Confiança da Indústria (ICI), do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), confirma uma elevação de 1,1 ponto em dezembro, passando de 74,8 para 75,9 pontos. Em entrevista à revista Fempi, alguns empresários de Itaquaquecetuba fizeram um breve balanço do ano anterior e revelaram as suas expectativas nos negócios para 2016.

Em relação a dezembro do ano passado, o resultado indica queda de 10,7%. A percepção do empresariado sobre os rumos da economia tem oscilado entre altas e baixas no segundo semestre. Em outubro último, havia apresentado elevação de 3,1 pontos, seguindo-se um recuo de 1,4 ponto em novembro.

A melhora em dezembro é reflexo, principalmente, do aumento de 1,9 ponto do Índice de Expectativas (IE), que atingiu 77,0 pontos. O Índice da Situação Atual (ISA) subiu 0,4 ponto ao passar para 75,2 pontos.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NuciI) também subiu e atingiu 75,1%, resultado que é 0,5 ponto percentual superior ao registrado no mês passado. O levantamento foi feito com base em dados coletados em 1.126 empresas entre os últimos dias 1º e 21.

Apesar do avanço, o coordenador da pesquisa, Tabi Thuler Santos, observou que ainda não dá para se prever uma tendência de recuperação. “A alta do ICI no quarto trimestre traz boas notícias, como o movimento no sentido de normalização dos estoques e alguma melhora das expectativas. Porém, como os indicadores da pesquisa visitaram seus mínimos históricos ao longo do segundo semestre e a alta é tímida, há que se esperar por novos avanços para se confirmar uma mudança de trajetória”.

Para o empresário José Longo Filho, a crise ocasionou algumas medidas drásticas em seu segmento. “Nossa empresa sofreu as repercussões do tsunami econômico mundial e nacional. Frente a isso, algumas medidas indesejáveis e nunca utilizadas tiveram de ser praticadas, principalmente a desaceleração nos investimentos”, lamentou. “A expectativa que nos resta para 2016 é conclamar aos companheiros da Frente Empresarial Pró-Itaquaquecetuba para que, ainda que não tenhamos um viés político partidário, nos unamos para fazer valer a nossa importância, da empresa até os limites onde chegam os altos tributos por nós recolhidos”, completou.

Ouvir falar de crise, segundo Eugenio Deliberato, proprietário do Laboratório Deliberato Análises Clínicas, já se tornou rotina na vida dos empreendedores. “Na área da saúde, mais especificamente na área de diagnóstico, já vimos variados cenários de hiperinflação a períodos de grande euforia e consumo. Em 2015 sem dúvida tivemos um ano bastante atípico com grave crise política e consequentemente econômica. Mais uma vez tivemos que focar muito para dentro de nossos serviços, procurando aprimorar nossos processos internos, incrementar o treinamento de nossos colaboradores buscando produzir com a melhor qualidade, o menor tempo possível e mantendo a nossa credibilidade e confiabilidade de nossos serviços junto a nossos pacientes e comunidade médica. Fazendo a nossa lição de casa, conseguimos superar esse difícil período”, explicou o empresário, ao apontar o caminho para obter sucesso neste ano. “Para 2016, que anunciam ainda mais complicado, precisaremos continuar otimistas e manter a busca contínua pela excelência nos serviços prestados. Agora tudo isso só é possível com muito trabalho, dedicação e amor naquilo que se faz. E deixemos o pessimismo para aqueles que não se importam com esses valores”, acrescentou.

Valter Inácio da Costa, ex-presidente da Fempi e proprietário da Reparol Acessórios Industriais Ltda., relembra que 2015 foi o pior ano desde a fundação de sua empresa, há 31 anos. “O ano de 2015 foi extremamente difícil. Os três segmentos da nossa economia, que são construção civil, engenharia automotiva e petrolífera, estão estagnadas. Foi o ano mais complicado”, lamentou o empresário. “A gente ainda não conseguiu se recuperar. Com as despesas fixas sendo mantidas e o volume de vendas reduzido, criamos uma lacuna financeira. Tivemos de buscar recurso nos bancos para evitar demissões e desfazer de nossa equipe. Para 2016 a gente não vê um cenário muito diferente. A gente se reorganizou com uma redução drástica das despesas. Acredito que as empresas nacionais podem ganhar um fôlego com essa alta do dólar. Precisamos trabalhar para fortalecer cada vez mais as empresas da região. Mas o desenvolvimento do município passa por uma boa gestão na prefeitura. E nossas últimas administrações foram muito ruins. Foram inimigas dos empresários”.

O advogado Fernando Magalhães, do escritório Fernando Magalhães Advogados Associados, revela que 2015 foi um ano positivo para o mercado de assessoria empresarial, mas recorda que foi um ano de grandes desafios para outros segmentos. “Boa parte da indústria sofreu muito mais, a área de serviços sofreu mais e o comércio foi mais estável.

Na verdade, foi uma amostra grátis do que está por vir. Acredito que hoje o empresário está muito mais pensando na sobrevivência do que em novos projetos. Aí reside um equívoco. O empresário precisa estar constantemente empreendendo, independente de toda essa situação existente no cenário atual. O empresário deve buscar oportunidades, mas o exercício de empreender precisa ser constante”, analisou o advogado. “Um novo mercado não surgirá num passo de mágica. Em síntese, o ano de 2015 foi duro e 2016 será mais duro ainda. Mas julgo que, independendo do governo, o desafio na microeconomia é inovação e empreendimento. Vejo nisso muitas oportunidades”, completou.

José Francisco Caseiro, diretor do Ciesp Alto Tietê, reforçou que 2015 foi muito ruim para os negócios na indústria de transformação. “A queda na produtividade foi acentuada, assim como no nível de emprego. O setor foi o primeiro a desaquecer com a crise econômica e permanece como um dos mais impactados. Entre as mais de duas mil indústrias que temos instaladas na Região, a maioria tem enfrentado sérias dificuldades para sobreviver. O reflexo disso se dá principalmente no mercado de trabalho. Fechamos 2015 com o pior resultado no nível de emprego do Alto Tietê. Uma retração de 10%, o que significa o fechamento de sete mil vagas na indústria”, alertou Caseiro, ao prever mais dificuldades em 2016. “Será mais um ano de grandes desafios visto que as perspectivas, infelizmente, não são as melhores. Tudo indica para a ausência de um processo de recuperação e isso deverá acarretar a perda de mais postos de trabalho. Mesmo com a confiança em queda, trabalhamos com a expectativa de que o governo implante, para ontem, políticas que possibilitem ao setor ao menos começar a dar sinais de reação do segundo semestre em diante. Mas só isso também não basta. O que o Ciesp Alto Tietê tem passado para os empresários é a necessidade de, cada um, dentro da sua empresa, reavaliar mercados, estratégias e gestão de pessoas para encontrar saídas. E é fundamental, ainda, manter a união. Já superamos outras crises”.

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