Indústria do Alto Tietê tem saldo de 650 demissões em abril

Demissões - Alto TietêAssociados da Frente Empresarial Pró-Itaquaquecetuba também sentem o impacto negativo no mercado de trabalho

O nível de emprego industrial na Região do Alto Tietê apresentou resultado negativo no mês de abril/2016. A variação ficou em -1,05%, o que significou uma queda de aproximadamente 650 postos de trabalho nas empresas instaladas nos oito municípios que integram a Regional – Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis e Suzano. Os dados das demissões são de uma pesquisa feita pela Diretoria Alto Tietê do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).

Os associados da Frente Empresarial Pró-Itaquaquecetuba (Fempi) também sentem esse impacto negativo no mercado de trabalho. Para algumas empresas, as demissões não foram opcionais, mas sim uma necessidade. Algumas delas, por sua vez, optaram por readequar seus quadros, mudando os setores e mantendo seus funcionários.

“Esses números refletem sim a situação atual do mercado das indústrias. Aqui, evitamos as demissões, mas tivemos muitos remanejamentos de funcionários, troca de setores, mas ainda assim tivemos que reduzir o quadro de funcionários. Na situação atual do país, muitas empresas vêm criando meios para evitar as demissões, seja mudando a carga horaria, contratando serviços mais baratos como estagiários, realocando os funcionários e falando especificamente da nossa empresa, a demissão tem sido a última opção”, explicou Rafael Saturnino, um dos responsáveis pelo marketing da Eportalli Embalagens Plásticas.

Essa foi a 15ª queda consecutiva no nível de emprego industrial no Alto Tietê. Só no primeiro quadrimestre deste ano, o acumulado é de -5,50%, representando uma queda de aproximadamente 3450 postos de trabalho. Nos últimos 12 meses, o acumulado é de -14,36%, o que corresponde ao fechamento de aproximadamente 9950 postos de trabalho.

“Na comparação com março, quando o índice foi de -3%, os resultados de abril são menos desastrosos, mas permanecem negativos e atingindo praticamente todos os setores, ainda que o de metalurgia seja o mais afetado até agora na nossa Região. Só neste ano, as empresas de metalurgia dispensaram quase 50% da mão de obra”, ressalta José Francisco Caseiro, diretor do Ciesp Alto Tietê.

Segundo o dirigente, a indústria, assim como outros setores produtivos, aguarda ansiosamente pelo anúncio das medidas econômicas e de outras ações do governo interino para indicar o caminho que será seguido e, a partir daí, projetar um possível início de recuperação. Ele aposta, no entanto, que o processo será lento. “Dificilmente teremos uma reação da indústria neste ano, mas o restabelecimento da política econômica e o planejamento das contas públicas são fundamentais para começar a reconquistar a confiança das pessoas. Temos de torcer para que isso ocorra o mais rápido possível”, avalia Caseiro.

Em outras áreas, como de construção civil, as demissões aconteceram, mas não necessariamente pela crise. “No mês de março tivemos algumas demissões, mas muito por questões de qualidade de serviço. Sentimos sim que a crise tem afetado as empresas e seus funcionários na região, mas nós sofremos mais com qualidade que necessariamente por crise. Trabalhamos com contratos, os nossos funcionários tem algum estabilidade e caso precisemos ter qualquer tipo de corte, a qualidade profissional é que sempre é avaliada”, explicou Fernanda Soares Luiz, supervisora administrativa da Galleon Estruturas Pré Fabricadas.

Com o resultado de abril, o Alto Tietê ficou na 32 a colocação entre as 35 regiões industriais paulistas mais a Capital. O desempenho do emprego na Região também foi inferior a média do Estado (-0,17%) e da Grande São Paulo (-0,53%).

Especificamente em abril, o índice do nível de emprego industrial na Diretoria Regional do Ciesp no Alto Tietê foi influenciado pelas variações negativas dos setores de Máquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos (-4,04%); Celulose, Papel e Produtos de Papel (-2,90%); Metalurgia (-8,64%) e Produtos de Minerais Não-Metálicos (-1,54%), que foram os setores que mais influenciaram o cálculo do índice total da região.

A tabela abaixo mostra o comportamento setorial dos meses de abril de 2015 e 2016 e os acumulados no ano e em 12 meses:

Demissões - Alto Tietê

Quando comparados os meses de abril dos anos de 2015 e 2016, temos um cenário pior, pois em abril de 2015 o resultado foi negativo em -0,24%.

O gráfico abaixo mostra os resultados comparativos da Diretoria Regional dos meses de abril nos anos de 2006 a 2016:

Demissões - Alto Tietê

O gráfico abaixo mostra o desempenho das variações mensais da Diretoria Regional no período de abril/2014 a abril/2016:

Demissões - Alto Tietê

Fonte: Ciesp Alto Tietê