Duplicação da Estrada de Santa Isabel, história ou realidade?

DER informou que o projeto executivo na Estrada de Santa Isabel está concluído, mas o início das obras está sujeito à disponibilidade orçamentária

Uma promessa não cumprida! O reflexo disto: o retardo do desenvolvimento em Itaquaquecetuba! De forma vaga e enxuta, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), órgão ligado a Secretaria Estadual de Logística e Transporte, informou que não há previsão para início das obras de duplicação da rodovia Alberto Hinoto, antiga estrada de Santa Isabel (SP-056), que inclusive contaria com a implantação do corredor metropolitano de ônibus.

A previsão é de que as melhorias no local passariam por serviços de recapeamento da pista, pavimentação dos acostamentos, do km 30,7 até a Ponte sobre o Rio Tietê. Deste ponto até o km 43, a SP-056 seria duplicada.

A promessa ao município foi feita há três anos, quando na ocasião, o DER assinou um contrato com a empresa Lenc-Engenharia e Consultoria, ganhadora do processo de licitação para elaboração do projeto executivo de duplicação da SP-56. O custo da duplicação, cujas obras seriam contratadas por meio da licitação quando o projeto executivo fosse finalizado, estava, na época, estimado em R$ 70 milhões.

Em nota a Revista Fempi, o DER informou que o “projeto executivo está concluído, mas o início das obras está sujeito à disponibilidade orçamentária”. Ou seja, sem previsão!

Preocupado com a demora para execução da obra que beneficiaria diretamente a população itaquaquecetubense, a Revista Fempi entrevistou o então secretário municipal de transportes, Dalton Luis Dename. Reconhecido por seu trabalho a frente da pasta, o agora secretário de Assuntos Institucionais é bacharel em direito pela Universidade Braz Cubas (UBC), tem graduação em trânsito pela Faculdade de Letras de Araras e pós-graduação em trânsito e transporte pela Escola Superior de Direito Constitucional.

Questionado sobre a demora para o início das obras de duplicação da Estrada de Santa Isabel, Dalton foi enfático. “O DER não deu um prazo. Devido à crise econômica que o País vem atravessando, muitas obras foram paralisadas. O certo é que o DER já fez o estudo de viabilidade financeira e esperamos para o próximo ano o início e conclusão da obra”, destacou.

Um ponto destacado por Dename é o corredor de ônibus, chamado de BRT Metropolitano Alto Tietê. Esse empreendimento terá quase 21 km de extensão e atenderá cerca de 47 mil passageiros diariamente entre as cidades de Arujá, Poá, Itaquaquecetuba e Ferraz de Vasconcelos, uma região com grande concentração populacional e que abrange três importantes rodovias: Fernão Dias, Dutra e Ayrton Senna.

Com dois terminais a serem construídos (Arujá e Ferraz de Vasconcelos), um a ser readequado (Cidade Kemel), duas estações de transferência (Parque e Monte Belo) e 26 estações de embarque e desembarque, o corredor tem como objetivo o desenvolvimento regional com substantiva melhora na qualidade de vida dos cidadãos.

O BRT Alto Tietê estará conectado às Linhas 11 – Coral e 12 – Safira da CPTM, além do futuro Corredor Metropolitano Leste (Mogi – SP). Os percursos estarão mais rápidos, com redução de cerca de 28% no tempo de viagem ou, aproximadamente, 20 minutos.

“As obras (Corredor Metropolitano) iniciarão em 2017, sendo a primeira etapa com a Rodoviária de Arujá. O motivo é de que a área compreende 2.600 metros de BRT, entre a rodoviária e a divisa com Itaquaquecetuba. O maior trecho fica em nossa cidade, mas depende justamente da duplicação da Estrada de Santa Isabel. Sem a execução desta obra, é impossível a chegada do BRT. Segundo a previsão do Governo Estadual, o trecho em Itaquaquecetuba começará em 2018”, disse.

A grande preocupação de lojistas e comerciantes, além de moradores que vivem no entorno da Estrada de Santa Isabel é a possível desapropriação. Segundo o ex-secretário de Transportes, já foi realizado um estudo com previsão orçamentária para ressarcimento das pessoas em alguns casos.

“Serão três formas da desapropriação para as pessoas: a primeira para aquele indivíduo que invadiu o terreno, a segunda para aquele que comprou de terceiro e, por último, para aqueles que têm escritura. Aos que invadiram, deverão ser deslocados para unidades do CDHU nas redondezas. Sobre aqueles que compraram o imóvel de terceiros, o procedimento será o mesmo, mas a diferença é que eles seguirão para um prédio do Minha Casa, Minha Vida. E, por último, as pessoas que possuem a escritura do imóvel serão indenizadas com o valor do mercado. Tudo isso será feito para minimizar o máximo possível o transtorno causado às famílias”.

Contraponto Fempi

Preocupado com os reflexos que as obras desta magnitude podem causar a população, a Frente Empresarial Pró-Itaquaquecetuba (Fempi) convocou dois membros de seu quadro diretivo para falar sobre a possível duplicação da Estrada de Santa Isabel e a consequente chegada do Corredor Metropolitano.

Segundo conselheiro da Fempi, Luiz Gonzaga da Silva, que inclusive foi secretário de Obras entre 2001 e 2004, durante a gestão do então prefeito Mario Moreno, fez uma avaliação da importância da duplicação e dos transtornos que obra pode trazer. “O prejuízo durante as obras é incalculável, principalmente quando não há um tempo determinado para início e conclusão. Vai atrasar a vida da cidade, mas é um mal necessário. Precisa ser feito um amplo estudo para que atenda a demanda que o fluxo de veículos exige”, disse ele, que concluiu. “Este projeto, ao meu ver, precisa de muitos cuidados. Há ocupações a beira da estrada e isso precisa ser visto com atenção. A obra em si tem que ser feita, com qualidade e que traga o retorno esperado que é a redução do escoamento do trânsito”, explicou.

Luiz Gonzaga da Silva fez uma avaliação da importância da duplicação e dos transtornos que obra pode trazer

Luiz Gonzaga da Silva fez uma avaliação da importância da duplicação e dos transtornos que obra pode trazer

Quem também avaliou a duplicação da estrada foi o vice-presidente da Fempi, Itiberê Sant´Anna de Souza. “O principal problema é a falta de vias de acessos para Itaquaquecetuba. Acredito que o ideal é abrir algumas alças, dar opções de entrada e saída, e ai sim trabalhar na duplicação. Se bloquear sem essa medida, poderemos ter um caos para o trânsito e o reflexo se espalhará por toda a cidade, prejudicando inclusive a área industrial, levando problemas com chegada e saída de produtos. Priorizar este “segundo acesso” à Itaquá, a meu ver, é fundamental”.

Vantagens e benefícios

Mesmo com os temporários transtornos, a duplicação se mostra necessária para Itiberê Sant´Anna. Mas outras medidas para o trânsito também são apresentadas pelo vice-presidente. “A duplicação, depois de finalizada, é o desenvolvimento. Terá um impacto muito positivo, pois vai acelerar e facilitar a passagem de veículos, reduzindo inclusive o tempo gasto para a locomoção neste perímetro. Todos se beneficiarão com esta obra de mobilidade urbana”.

Vice-presidente da Fempi, Itiberê Sant'Anna, destaca que a duplicação da Estrada de Santa Isabel se mostra necessária, apesar dos transtornos

Vice-presidente da Fempi, Itiberê Sant’Anna, destaca que a duplicação da Estrada de Santa Isabel se mostra necessária, apesar dos transtornos

O ex-secretário, Luiz Gonzaga da Silva, também vê com bons olhos os resultados da duplicação. “É uma necessidade que já há alguns anos vem solicitada pela população e também devido ao trânsito, que cresceu muito nos últimos anos. Concluída, a obra trará grandes benefícios, já que a estrada corta praticamente toda a cidade. Essa mudança será de grande relevância”, concluiu.

Reflexos na economia local

Apesar de a duplicação facilitar a chegada e melhorar o trânsito em Itaquaquecetuba, durante sua execução, muitos prejuízos financeiros podem acontecer e quem explica esse problema é  Itiberê Sant´Anna, que é proprietário da Isotref Tubos de aço.

“Na área do comércio, a entrada de produtos na cidade será prejudicada, as pessoas que passam por aqui vão procurar outras cidades devido à execução da obra e o trânsito interno. Na indústria, o problema é maior por conta de empecilhos de acesso dos fornecedores e a saída dos produtos. A mudança de rota pode gerar mais gastos e isso interferir no produto final de varias linhas de produção”, concluiu o vice-presidente da FEMPI.